Fórum Permanente de Cultura e Patrimônio consolida nova agenda regional de preservação, memória e participação cidadã em Piracicaba.
- iucclaboratorio
- 24 de mai.
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Evento reuniu especialistas nacionais, universidades, instituições culturais e sociedade civil em uma das mais relevantes iniciativas voltadas ao patrimônio cultural já realizadas no município.
Entre os dias 18 e 20 de maio de 2026, Piracicaba tornou-se centro regional das discussões sobre memória, patrimônio cultural, museologia, sustentabilidade e participação cidadã ao sediar a primeira edição do Fórum Permanente de Cultura e Patrimônio, iniciativa promovida pelo IUCC.Lab – Laboratório de Inovação Urbana e Ciência Cidadã – e pelo SESC Piracicaba, em parceria com a Associação de Engenheiros e Arquitetos de Piracicaba (AEAP), o Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo (CAU/SP) e o Parque Tecnológico de Piracicaba.
Com proposta inédita no município, o Fórum consolidou-se como um espaço permanente de encontro, articulação comunitária e construção coletiva de estratégias voltadas à preservação e ativação do patrimônio cultural piracicabano, reunindo especialistas de referência nacional, gestores públicos, pesquisadores, universidades, museus, instituições culturais, movimentos sociais e representantes da sociedade civil.
A programação integrou oficialmente a 24ª Semana Nacional de Museus, promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus, cujo tema neste ano foi “Museus: unindo um mundo dividido”, reforçando o alinhamento do Fórum às discussões contemporâneas sobre cultura, inclusão, diversidade e fortalecimento da cidadania por meio do patrimônio.
O evento foi idealizado e coordenado por Ana Torrejais e Carolina Mello, integrantes do IUCC.Lab, responsáveis pela concepção institucional, curadoria temática e articulação técnica da programação. Os registros fotográficos do eventos foram realizados por Fábio H. Vitti.

Segundo Ana Torrejais, o Fórum nasce da necessidade de construir uma política cultural baseada na participação social e no reconhecimento do patrimônio como instrumento ativo de cidadania.
“O patrimônio cultural não pode ser compreendido apenas como memória do passado, mas como ferramenta de transformação social e fortalecimento das identidades coletivas. O Fórum surge justamente para criar conexões permanentes entre instituições, comunidade e território, transformando memória em ação pública.”
Já Carolina Mello enfatiza o caráter interdisciplinar e comunitário da iniciativa, voltado à construção de políticas culturais mais conectadas às realidades locais.
“Nosso objetivo foi criar um espaço onde diferentes saberes pudessem dialogar, articulando universidades, comunidades, poder público, instituições culturais e movimentos sociais. O patrimônio precisa ser entendido como um elemento vivo da cidade, capaz de orientar processos mais sustentáveis, inclusivos e participativos.”
Três dias de debates estratégicos para o futuro cultural da cidade

A abertura do Fórum, realizada em 18 de maio na sede da AEAP, reuniu importantes nomes das áreas de patrimônio, história, arquitetura e museologia para discutir temas relacionados à memória republicana, patrimônio arquitetônico, preservação documental, museus e participação cidadã.
Participaram das atividades Tatiane Bistafa, Presidente da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Piracicaba (AEAP); Rafael Ambrósio, representante do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo (CAU/SP); Mariana de Souza Rolim, vice-presidente do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico de São Paulo (CONDEPHAAT); a arquiteta e urbanista Dulcinei de Souza Cipriano, representante do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN); Jackson de Brito Raymundo, diretor de Documentação Histórica do Gabinete Pessoal da Presidência da República; o professor e pesquisador Renato de Mattos, integrante honório do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas Arquivísticas e da Rede de Arquivos de Políticos e Pessoas Públicas; o historiador Maurício Beraldo, do Museu Histórico e Pedagógico Prudente de Moraes; além do professor Francisco de Andrade, representante do Museu Republicano de Itú.

O segundo dia, realizado no SESC Piracicaba, aprofundou discussões sobre patrimônio comunitário, museologia social, cultura popular, patrimônio ambiental e desenvolvimento territorial sustentável. As atividades reuniram pesquisadores, arquitetos, educadores, museólogos e especialistas que abordaram desde o potencial do Geoparque Corumbataí até a preservação de acervos históricos e o papel dos museus universitários na democratização do conhecimento. Também ganhou destaque a importância do Rio Piracicaba como patrimônio natural, paisagístico, histórico e afetivo da cidade, elemento estruturador da identidade cultural piracicabana e da relação entre território, memória coletiva e qualidade de vida urbana. Os debates ressaltaram a necessidade de fortalecimento das políticas de preservação ambiental, valorização das paisagens culturais e ampliação da participação cidadã no cuidado com o rio, entendido não apenas como recurso natural, mas como patrimônio vivo da cidade e símbolo da formação histórica, social e cultural de Piracicaba. Entre os participantes estiveram Márcio Hoffmann, Marcelo Guidotti, Júlia Madeira, Antonio Filogenio de Paula Junior, Priscila Lima Ferreira, Ayri Saraiva Rando, Girlei Costa da Cunha, Fábio Tadeu Lazzerini, Ana Claudia Berto, Edno Aparecido Dario e o artista visual Pazé (Paulo Franco Netto).

O encerramento, em 20 de maio, foi marcado por debates sobre políticas públicas de preservação, leis de incentivo à cultura, museologia social e legados comunitários. Participaram da programação Mariana de Souza Rolim, na qualidade de Diretora de Preservação do Patrimônio Cultural do Estado de São Paulo; Paulo César Garcez Marins, atual diretor do Museu Paulista da Universidade de São Paulo; além de Natalia Puke e Letícia Correa, representantes do Museu Comunitário de Santana; e Juliana Binotti Pereira Scariato e Juliano Dorizotto, em representação à Società Italiana di Piracicaba.
Um legado para a cidade
Além da expressiva participação de público e da ampla articulação institucional promovida ao longo dos três dias, o Fórum também consolidou importantes encaminhamentos voltados à estruturação do Programa de Educação Patrimonial e ao desenvolvimento do Inventário Participativo do Patrimônio Cultural Piracicabano, iniciativas do Laboratório entendidas como instrumentos permanentes de mobilização social, educação cultural e participação cidadã.
A repercussão do evento reforçou a percepção de que Piracicaba possui potencial para consolidar-se como referência regional e até estadual nas discussões sobre patrimônio cultural, memória e inovação social aplicada à cultura. Ao final desta primeira edição, o Fórum Permanente de Cultura e Patrimônio afirmou-se não apenas como um evento, mas como um movimento coletivo de construção de futuros compartilhados, capaz de conectar memória, território, participação social e desenvolvimento sustentável.




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